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Trabalho do futuro x Futuro do trabalho

O mercado de trabalho vive uma situação disruptiva no Brasil e no mundo.  A “gig economy” atravessou nossas fronteiras e veio para ficar.

Entre nós, o trabalho com carteira assinada em regime da CLT é uma espécie em extinção, vaticinam os especialistas em direito do trabalho e sobretudo os futuristas.  Após algumas décadas de consistente migração dos trabalhadores nacionais para o mercado informal a última crise financeira, aliada aos avanços tecnológicos mudou drasticamente o cenário laboral brasileiro. 

Transporte urbano e entregas por meio de aplicativos como UBER, Uber Eats, 99 e RAPPI absorveram um grande número dos trabalhadores que deixaram o mercado formal de emprego e se engajaram em atividades de serviços novos que surgiram a partir dos anos 2000.  

São esses os novos profissionais da “gig economy”, a área de inovação e aplicação da tecnologia em novos modelos de atividades de negócios, ainda não regulamentada, visto que não foi recepcionada pela recente reforma trabalhista.  A saída legal construída pelo executivo e legislativo foi permitir que, sempre de forma voluntária se assim optarem, estabelecerem-se como microempreendedores individuais e mediante um aporte mensal de R$50 ao INSS, passarem a fazer parte do grupo de contribuintes da seguridade social.  Nessa condição, respeitada carência de 12 meses de contribuição um microempreendedor passa a ter direito a auxílio doença e a aposentadoria por invalidez, proteção social pífia para um futuro incerto como se configura o panorama laboral.  

A economia informal já conta com 37 milhões de pessoas no país, contingente que supera os números do emprego formal.  O fenômeno transborda as fronteiras nacionais e na opinião dos especialistas os profissionais da “gig economy” tendem a crescer mundialmente.

A grande exceção no cenário de diminuição de vagas de trabalho formal está na área da economia digital, uma verdadeira ilha onde sobram vagas e falta mão de obra. A disputa por desenvolvedores, cientistas de dados, designers, profissionais de marketing digital já saiu dos guetos das empresas de tecnologia para o espaço empresarial como um todo.  Com uma formação que não demanda necessariamente diploma universitário, MBAs e pós-graduações, onde cursos livres e autodidatismo aliados a um bom portfólio podem garantir um bom salário e emprego, os candidatos a vagas nessa área encontram uma demanda aquecida e muitas oportunidades.

Hoje a grande expansão, sobretudo em volume de oportunidades, parece se dar na “gig economy” que estende seus braços para muitos serviços a serem prestados em uma moldura diversa do passado e atraindo, predominantemente, o contingente expulso do trabalho formal.

O que será o amanhã? Como será o trabalho futuro e qual será o futuro do trabalho ainda são perguntas com respostas incompletas.

28 de janeiro de 2020 – Gloria Faria